a pressão arterial

30/09/2013 08:51

A expressão pressão arterial (PA) refere-se à pressão exercida pelo sangue contra a parede das artérias. A pressão arterial bem como a de todo o sistema circulatório encontra-se normalmente um pouco acima da pressão atmosférica, sendo a diferença de pressões responsável por manter as artérias e demais vasos não colapsados. O seu valor no indivíduo saudável varia continuamente, consoante a atividade física, o stress ou a emotividade.

Denomina-se ciclo cardíaco o conjunto de acontecimentos desde o fim de um batimento cardíaco até o fim do seguinte.

No momento em que o coração bombeia seu conteúdo na aorta mediante contração do ventrículo esquerdo, encontrando-se a válvula mitral fechada e a válvula aórtica aberta, quando a pressão ventricular esquerda é máxima, a pressão calculada a nível das artérias também é máxima. Como esta fase do ciclo cardíaco se chama sístole, a pressão calculada neste momento é chamada de pressão arterial sistólica.

 

Imediatamente antes do próximo batimento cardíaco, com a válvula aórtica fechada e a mitral aberta, o ventrículo esquerdo está em relaxamento e a receber o sangue das aurículas. Neste momento a pressão arterial nas artérias é baixa, e, como este período do ciclo cardíaco se chama diástole, é denominada pressão arterial diastólica. No entanto, esta pressão mínima ainda é consideravelmente superior à pressão presente do lado exterior da aorta e de todo o sistema arterial, sendo esta certamente maior do que a pressão atmosférica razão pela qual as artérias não colapsam nesta fase do ciclo.

A perfusão tecidual adequada é garantida pela manutenção da força motriz da circulação, a pressão sanguínea, em níveis adequados e razoavelmente constantes, esteja o indivíduo em repouso ou desenvolvendo diferentes atividades. Fatores físicos como, o volume e a viscosidade sanguínea e a capacitância da circulação - resultado da combinação instantânea entre débito cardíaco, resistência periférica e capacitância venosa - são determinantes da pressão arterial.


A manutenção dos níveis pressóricos dentro de uma faixa de normalidade depende de mecanismos complexos e redundantes que determinam variações na frequência e na contratilidade cardíaca, na resistência periférica e na distribuição dos líquidos corporais. Dessa forma, a regulação da pressão arterial depende de ações integradas dos sistemas cardiovascular, renal, neural e endócrino que, por sua vez, são influenciados por fatores genéticos e ambientais. O controle efetivo da pressão arterial é o resultado da atividade dos sistemas de retroalimentação que operam a curto e longo prazo. O objetivo desta revisão consiste em apresentar os mecanismos de regulação da pressão arterial pelos barorreceptores e discutir alguns impactos fisiopatológicos da falha destes mecanismos. 

O reflexo barorreceptor é considerado um sistema de controle de alto que mantém a pressão arterial dentro dos limites normais em períodos de segundos a minutos. A rapidez desse processo regulatório é obtida através dos mecanismos de retroalimentação pelo sistema nervoso autônomo. Nos seres humanos, as terminações da maioria das fibras barorreceptoras estão localizadas em vasos do sistema arterial, que apresentam as mais altas propriedades elásticas, ou seja, arco aórtico e seio carotídeo. Os barorreceptores arteriais são terminações nervosas livres, densamente ramificadas, que se distribuem na camada adventícia. O principal mecanismo de ativação dos barorreceptores é a deformação mecânica das terminações neurais, decorrente da distensão da parede vascular determinada pela onda de pulso. 

Dessa forma, os barorreceptores constituem-se, em última análise, em mecanorreceptores. A função primordial dos barorreceptores é manter a pressão arterial (PA) estável, dentro de uma faixa estreita de variação, esteja o indivíduo em repouso ou desenvolvendo diferentes atividades comportamentais. Dessa forma, exercem uma importante regulação reflexa da frequência cardíaca, do débito cardíaco, da contratilidade miocárdia, da resistência vascular periférica e, consequentemente, da distribuição regional do fluxo sanguíneo. Do ponto de vista funcional, os dois componentes do barorreflexo arterial (carotídeo e aórtico) não são equivalentes. Sugere-se que o barorreflexo aórtico tenha maior limiar e menor sensibilidade em relação ao carotídeo. 

 

Diariamente acompanhamos nos noticiários termos como “isquemia”, “aneurisma”, “embolia”, “avc”, “trombose”, “aterosclerose”, entre tantos outros. Mas você sabe exatamente o que eles significam? Para ter um coração saudável é importante compreender o básico das principais doenças cardiovasculares e seus impactos sobre o organismo:

Doenças cardiovasculares: Por definição, são doenças que afetam o coração e/ou o sistema circulatório que é formado pelas artérias, veias e demais vasos capilares. Geralmente o termo é utilizado como sinônimo de “doenças cardíacas”. O infarto do miocárdio é uma das diversas doenças cardiovasculares conhecidas. Veja um breve resumo dos principais tipos de doenças cardiovasculares. Você vai perceber que muitas delas estão intimamente interligadas, sendo desdobramentos de um mesmo processo: o processo de entupimento das artérias e suas consequências para a nutrição, oxigenação e bom funcionamento dos órgãos.
Infarto do miocárdio: É uma das doenças cardiovasculares mais conhecidas, popularmente chamada “ataque cardíaco”. Ocorre quando há necrose (morte do tecido) de parte do músculo do coração, devido à redução brusca do fluxo de sangue. Esta necrose ocorre por conta do entupimento das artérias (aterosclerose), que alimentam o coração com nutrientes e oxigênio. Sem esses elementos, a parte do coração diretamente atingida deixa de funcionar. O nome que se dá a esta falta de oxigenação de algum órgão pela interrupção do fluxo sanguíneo é “isquemia”.
Aterosclerose: É o processo de enrijecimento, perda de diâmetro e entupimento das artérias provocado pelo acúmulo de placas de gordura e cálcio em suas paredes. O acúmulo dessas placas costuma estar ligado a altos índices de colesterol, diabetes e hábitos como o sedentarismo e o tabagismo. A aterosclerose obriga o coração a bater mais forte para bombear a mesma quantidade de sangue para o organismo, trazendo grande desgaste para ele e criando o fenômeno da hipertensão.Num nível extremo, o entupimento das artérias impede que o sangue chegue a determinados pontos do coração, ocasionando necrose do tecido cardíaco e levando ao infarto do miocárdio. Se a interrupção do fluxo sanguíneo (isquemia) ocorrer em outros órgãos ao invés do coração (como cérebro, pulmão, rins e estômago), teremos outras complicações, como AVC´s, doença arterial dos membros inferiores e doença arterial dos rins.
Angina do peito: É a dor no peito que sentimos quando o processo de isquemia (baixo abastecimento de oxigênio) do músculo cardíaco começa a se tornar crítico, devido a um processo avançado de aterosclerose.
AVC – Acidente vascular cerebralFenômeno similar ao infarto do miocárdio, ocasionado pelo entupimento de vasos sanguíneos (aterosclerose) e a consequente falta de oxigenação do órgão, necrosando parte de seu tecido e anulando parte de suas funções. A diferença é que, neste caso, o órgão atingido é o cérebro e não o coração.
Doença obstrutiva das carótidas: As artérias carótidas são as principais responsáveis por levar sangue oxigenado ao cérebro. A doença obstrutiva das carótidas refere-se justamente ao processo de enrijecimento e entupimento dessas artérias pelo acúmulo de placas de gordura e cálcio em suas paredes (aterosclerose), podendo levar aos acidentes vasculares cerebrais – AVC´s.Os fatores de risco para a obstrução das carótidas são os mesmos da maior parte das doenças cardiovasculares: idade acima de 60 anos; fumo; hipertensão; colesterol elevado; obesidade, sedentarismo e história familiar de aterosclerose.Muitas vezes o primeiro sinal da doença é o próprio AVC. Por isso, recomenda-se a realização de exame preventivo que é o Doppler de carótidas, caso o paciente apresente algum dos fatores de risco citados anteriormente.

Doença arterial dos membros inferiores: Mesmo fenômeno que provoca o infarto do miocárdio e o AVC, mas neste caso atingindo a musculatura das pernas. As placas de gordura e cálcio comprometem as artérias que irrigam essa musculatura, trazendo comprometimento para o aparelho locomotor e, em último caso, podendo levar à amputação do membro afetado. O principal sintoma é uma sensação de cansaço crônico na perna atingida, mesmo ao realizar pequenos esforços. Hoje existem diversos medicamentos que conseguem contornar o problema sem a necessidade de uma intervenção cirúrgica. Os casos de amputação são raros.

 

Nos últimos anos, a cirurgia endovascular permitiu que este tratamento seja realizado através da técnica de recanalização femoral, na qual o Dr. Marcelo Ferreira e sua equipe são autores de um dos principais artigos científicos a respeito, publicado no European Journal of Vascular and Endovascular Surgery. Nesta técnica, através de uma simples punção na virilha, delicados catéteres e stents são utilizados para reabrir a artéria doente e restaurar o fluxo de sangue da perna, o que em geral trata completamente os sintomas e evita complicações graves, como a amputação de uma perna pela falta de sangue.
Doença das artérias renais: Ocorre quando o processo de obstrução das artérias acontece na região onde o sangue é levado para ser filtrado pelos rins. Sua prevenção segue a cartilha válida para quase todos os tipos de doenças cardiovasculares: cuidar da alimentação, preferindo fibras e vegetais e evitando gorduras saturadas e açúcar refinado; eliminar o tabagismo; não abusar do álcool; realizar atividades físicas 30 minutos todos os dias; medir a pressão regularmente; realizar exames de check-up periódicos ou se tiver quadros da doença na família.Seus sintomas são silenciosos na maioria das vezes, e o diagnóstico pode ser realizado através de exame preventivo do tipo Doppler ou angiotomografia.
Dissecção da aorta: A aorta é a principal artéria do nosso corpo, funcionando como um tronco que vai do coração à pélvis, ao longo do qual partem todas as outras artérias. A parede das artérias, incluindo a aorta, é composta por três camadas: a primeira, que fica em contato direto com o sangue, é chamada túnica íntima; a segunda é composta por células musculares lisas e se chama túnica média; por fim, a camada mais externa é composta por tecido conjuntivo e se chamatúnica adventícia.Quando, no processo de circulação, o sangue rompe a túnica íntima e invade a túnica média, temos um quadro de dissecção. O grande risco é que, a partir disso, o sangue continue pressionando as paredes da aorta até que rompa a artéria por completo, causando uma forte hemorragia que, se não for controlada imediatamente, tem grandes chances de levar à morte do paciente.A dissecção não tem uma única causa, mas está diretamente ligada a quadros de hipertensão, aterosclerose e tabagismo, além de causas genéticas que ajudam a provocar o enfraquecimento das proteínas responsáveis pela composição da parede das artérias. Seu sintoma principal é uma dor lancinante e aguda, que se inicia no tórax e caminha em direção à coluna, de cima para baixo. Ao se buscar ajuda imediatamente, é possível controlar o quadro através de diferentes intervenções médicas, dependendo do diagnóstico detalhado do problema.
Aneurisma da aorta torácica – AAT: O aneurisma ocorre quando uma artéria se dilata, provocando rompimento ou trombose (coagulação de sangue no interior do vaso) da mesma. Nos dois casos, instala-se um quadro de isquemia (diminuição brusca ou interrupção do fluxo sanguíneo que leva oxigênio e nutrientes aos órgãos) dos tecidos irrigados pelo vaso atingido. No caso do rompimento, há ainda o risco mais grave de ume hemorragia interna.Quando um aneurisma atinge a aorta em sua parte superior (torácica), além do risco de isquemia e hemorragia, pode haver complicações como hipotensão arterial e choque hipovolêmico, levando à morte do paciente.Os sintomas do AAT são silenciosos, sendo geralmente identificados “por tabela” através de exames como ecocardiogramas e raios-X de rotina, realizados para detectar outras doenças. Sua incidência maior ocorre em pacientes acima dos 60 anos do sexo masculino e suas causas estão ligadas a problemas como hipertensão, tabagismo, doença pulmonar obstrutiva e hereditariedade.
Aneurisma da aorta abdominal – AAA: Ocorre quando o aneurisma atinge a aorta em sua parte inferior (abdominal). Em relação ao aneurisma da aorta torácica, o AAA traz um agravante, quando a ruptura da artéria ocorre com extravasamento de sangue para dentro da cavidade abdominal. Neste caso, o risco de morte é altíssimo. O AAA é uma doença silenciosa, podendo se manifestar apenas minutos ou horas antes do evento fatal. Seu diagnóstico, portanto, deve ser preventivo, feito através de exames como ultrassonografia do abdômen, tomografia computadorizada ou ressonância magnética.
 
Varizes dos membros inferiores: As varizes são o equivalente do aneurisma quando ocorrem nas veias ao invés das artérias. São dilatações ou tortuosidades que comprometem o funcionamento normal do fluxo sanguíneo nas veias, gerando uma pressão contrária (de cima para baixo) neste fluxo. Como se sabe, as veias trazem o sangue “impuro” dos órgãos até o coração, num movimento “de baixo para cima”, contrário àquele percorrido pelo sangue nas artérias.Com esta pressão contrária ao fluxo natural do sangue nas veias, ele acaba ficando estagnado nas regiões inferiores do corpo trazendo sérios problemas de saúde. No entanto, por ocorrerem apenas nas veias mais superficiais, as varizes geralmente não possuem efeito tão danoso quanto os aneurismas.As dilatações e deformidades nas veias acontecem devido a uma perda de elasticidade de suas paredes, ocasionada pelo desgaste nas proteínas que formam sua estrutura. Dores, cansaço e inchaço na região afetada são os sintomas comuns das varizes e o tratamento é feito atualmente por meio de medicamentos, salvo em situações limite onde se torna necessária uma intervenção cirúrgica.
Trombose venosa profunda (TVP) e embolia pulmonar: A trombose ocorre quando um coágulo sanguíneo (trombo) se desenvolve no interior de um vaso sanguíneo. Quando este coágulo se desenvolve em uma veia profunda, temos um quadro de TVP. Se este coágulo segue na circulação até o pulmão, cria-se um quadro de embolia pulmonar, que é nada mais do que o entupimento da artéria próxima à região do pulmão, processo similar aos verificados no AVC, no infarto e nas doenças das artérias renais. Cria-se então um quadro de isquemia, onde esses órgãos deixam de ser devidamente oxigenados e nutridos pela circulação, que passa a ser deficiente na região. A diferença é que, neste caso, a isquemia é provocada por um coágulo sanguíneo e não pelo acúmulo de placas de gordura e cálcio, como verificado na aterosclerose.As causas principais da TVP e a consequente embolia pulmonar podem ser: traumas que gerem uma resposta excessiva do sistema de coagulação, doenças sanguíneas de caráter genético que predisponham à trombose e longos períodos parados numa mesma posição (tornando o fluxo sanguíneo venoso mais lento e favorecendo a formação de coágulos). Os sintomas da embolia pulmonar incluem dificuldade de respiração, dor torácica na inspiração e palpitações.O tratamento é geralmente realizado através de medicação anticoagulante, salvo em casos mais graves onde há necessidade da realização de trombólise e intervenção cirúrgica.