Nova Ordem Mundial

28/11/2013 16:07

O termo Nova Ordem Mundial tem sido empregado em vários momentos da história para indicar um rompimento radical na forma e conteúdo como estão organizadas asrelações internacionais entre as nações, com destaque para o equilíbrio de poder entre as potências mundiais no momento, ou seja, a paz e a coordenação entre os países mais desenvolvidos militar e economicamente, exercendo em conjunto diretrizes que estabelecerão o caminho seguido pelas outras sociedades menos desenvolvidas.

 

A nova ordem  mundial existente em nossos dias (pois, como já foi dito, houve outras "novas ordens mundiais" anteriores) caracteriza-se pela unipolaridade, o controle dos destinos do mundo  por uma única superpotência, sobrevivente da Guerra Fria, os Estados Unidos, sendo este apoiado por potências menores porém ainda influentes (Europa e Japão).

Acredita-se que o fenômeno da globalização e da nova prdem mundial são intercomunicáveis, cada um resultando em causa e consequência do outro, pois estaria se configurando um domínio do império norte-amnericano sobre a economia de mercado ajudado pelo fenômeno chamado de "balcanização", que consiste na fragmentação de vários antigos estados soberanos onde predominava a convivência de várias etnias e culturas diferentes. Tal fenômeno ajudaria na manutenção do predomínio econômico e político norte-americano, pois a soberania dos outros estados estariam sendo cada vez mais limitadas, condicionadas, enfim, inibidas. Com isso, assume-se que nesta nova ordem mundial, o estado nacional como conhecíamos até algumas décadas atrás entra definitivamente em decadência, resultando com isso que boa parte da população mundial retroceda a uma convivência com protetorados de fato, países fracos, sem representatividade, sustentados apenas pela ideia de unidade étnica e cultural.

Há também que se destacar não só a decadência da grande maioria dos estados nacionais mas também das organizações internacionais, (que são, junto aos estados, o outro sujeito de direito internacional). Tal afirmativa ficou evidente na decisão unilateral dos EUA em invadir o Iraque, sem considerar antes o parecer da Organização das Nações Unidas, literalmente passando por cima desta organização que deveria primar pelo equilíbrio e respeito à soberania de todos os seus membros, e além disso, primordialmente, preservar a paz e encontrar soluções pacíficas como resolução de todo e qualquer conflito.

Mas, a pior face da nova ordem liga-se mesmo à falência do estado nacional, que, sob um manto de respeito à cidadania e aos direitos fundamentais do cidadão, cada vez mais torna a política interna dos países inócua, afastando o povo dos assuntos políticos (basta ver no mundo todo a abstenção cada vez maior em eleições nacionais, na maioria das democracias). Assim, uma ditadura de discurso inócuo, liberal domina os países democráticos, e os submetem à política de livre economia de mercado orientada aos interesses da superpotência remanescente, os Estados Unidos. Os interesses das nações em si são assim preteridos, e o desemprego e o fim da livre iniciativa no campo econômico atingem patamares assustadores. O cidadão contemporâneo cada vez mais é pressionado pelo mercado e vem perdendo no mundo atual seus direitos a educação, saúde, emprego, saneamento básico, enfim, serviços públicos de qualidade, para poder desfrutar dos mesmos só quando os pode pagar devidamente.

A inserção do Brasil na "nova ordem" mundial está inexoravelmente condicionada à adequação das instituições nacionais às demandas do mercado global.

A afirmativa acima pode e deve ser estendida tão amplamente quanto possível, relativizada em todos os sentidos e problematizada extensivamente: em primeiro lugar, inserir o Brasil na "nova ordem" (e até aqui somente manterei as aspas) não significará de maneira alguma submeter uma nacionalidade (a nossa!) a outras, ou abdicar a qualquer uma, ou, no meu entender, menos ainda, priorizar esta ou aquela nacionalidade em detrimento de qualquer benefício coletivo supranacional ou internacional, no sentido geral de VELLOSO, FRITSCH et alii , dentre outro autores; em seguida, compreendo nova ordem como à situação dinâmica de transformações que o mundo passou a apresentar em sua estrutura geopolítica e megaeconômica nos períodos imediatamente antecedente e subseqüente à derrocada dos regimes socialistas no leste-europeu; neste sentido a nova ordem tem muito mais de "nova" que propriamente de "ordem", ficando o adjetivo com a mais relevante parcela semântica da expressão, pelo que se pode depreender da discussão em torno do tema ; o condicionamento da inserção a uma ordem que é mais "nova" que "ordem" propriamente, significa que esta inserção pode ou não ocorrer, que ela pode ocorrer em maior ou menor grau, que ela pode ocorrer de formas diferentes e segundo relações de forças diferentes; o passo seguinte em minha afirmativa, que menciona adequação, refere-se a toda transformação que se fizer necessária, dentro de um projeto em que se tenha um determinado tipo de inserção como meta coletiva identificada; as instituições a que me refiro são todas, o governo, os partidos, os sindicatos, as associações profissionais, ONGs de toda espécie etc.; o mercado aqui referido, por sua vez, é também compreendido no mais amplo sentido, ou seja, todas as ofertas e demandas econômicas, políticas e sociais conjugadas e interagintes; e global por considerar-se na afirmação que, em quaisquer venham a ser os modelos adotados, o componente macrodimencional das relações internacionais em todos os campos do já referido mercado, são um fator que se pode tomar como ponto passivo. Voltarei a estas questões como um pouco mais de profundidade à frente.

Em artigo exaustivamente veiculado como Introdução a vários volumes de sua organização nas publicações do Fórum Nacional , o ex-Ministro Reis Velloso estabelece uma conexão necessária entre governabilidade e o alcance de um desejável grau de modernidade econômica, política e social.

Quero crer que as adequações institucionais ao mercado, a que me referi acima, sejam as mesmas que levem a estas modernidades, as mesmas capazes de gerar a governabilidade de longo prazo. Isso do ponto de vista segundo o qual as adequações em referência constituam um projeto nacional ideal ou em curso e a mencionada inserção um desiderato coletivo identificado, aspectos estes que, a partir deste ponto, passo a ter como premissa.

Governabilidade em longo prazo, em tempo histórico de longa duração, num mundo completamente interdependente, paradoxalmente submetido (ainda que provisoriamente) à hegemonia dos EUA, significaria alcançar-se uma paz universal que, se desejável do ponto de vista utópico, certamente não se entrevê, pelo menos em curto prazo, sob outra ótica.

Esta governabilidade a longo prazo se aproxima muito do que tem sido chamado "fim da História" por Fukuyama e pelos que lhe seguiram os passos. Esta governabilidade em longo prazo, ou a falta de perspectiva para que ela seja alcançada é que Hobsbawn parece ter se desiludido de ver em nossos dias, por inúmeros problemas locais, alguns ligados a grupos ultranacionalistas, e outros problemas globais como o recrudescimento do xenofobismo e a própria falibilidade do liberalismo keynesiano, mesmo em sua vertente dita neoliberal, em que os países redemocratizados do leste têm se mergulhado, um tanto apressadamente (ainda segundo Hobsbawn).

Ou seja, do conjunto destas opiniões: adequar as instituições às demandas do mercado globalalcançando assim a governabilidade seria dar um passo na direção do fim da história, que está tão distante quanto sempre, pois a derrocada do socialismo, ao contrário de simplesmente eliminar os problemas a guerra fria, trouxe de volta antigos problemas que estavam "congelados" pelo socialismo e pela bipolarização.

Este último parágrafo propositalmente mistura as idéias dos autores construindo um paradoxo que, se apresenta uma lógica aparente, posto que frágil, não passa de um artifício meu para argumentação.

Minha tese, pelo contrário, e sou otimista confesso, é que estamos nos aproximando de um tempo em que às condições gerais serão consideravelmente melhores que as de qualquer outro período histórico para qualquer corte geográfico, e no qual os atores globais agirão de uma forma cooperativa muito mais nítida e com uma continuidade positiva no desenvolvimento desta cooperatividade.

Creio que se esteja alcançando no mundo moderno um estágio no qual se perceba que a cooperação é a melhor condição de competição, e vice-versa. Voltarei a este ponto.
Por enquanto pretendo apontar alguns aspectos da ordem internacional como fatores a serem vistos como determinantes para a natureza das transformações institucionais que ora estão em curso e cuja dinâmica e tendências devem ser bem compreendidas para a elaboração de qualquer projeto em longo prazo.